20 de Abril de 2011

Basicamente, para que serve a caixa de comentários? – Pt. 1




Eis uma questão, que duma forma ou de outra, já nos ocorreu mais que uma vez e para a qual temos, eventualmente, duas repostas imediatas: para tudo e para nada!

Para quem toma o mundo dos blogs e das redes sociais, como um ponto de partida, um ponto de encontro para “comunicar”, partilhar e mostrar a uma pequena parcela do mundo, “o seu próprio mundo”, o seu trabalho, depara-se muitas vezes com questões como estas e as respostas que se encontram nem sempre são as mais agradáveis… por estarmos a lidar com pessoas, como pessoas que somos, nem sempre as caixas de comentários recebem as mensagens que desejamos, mas as possíveis, as que se sujeitam aos humores do dia, tempo, espaço e circunstância.

Pela minha parte, e pelos milhares (não temo afirmar!) de mensagens que já deixei em caixas de comentários alheias, já me aconteceu de tudo, tal como “na vida que se insiste real”: momentos de verdadeiro prazer em deixar condensado em meia dúzia de palavras os meus sentimentos, momentos de tristeza por ver que determinada mensagem deixada “de boa-fé” e que não foi moderada, momentos de “luz” que determinada mensagem deixada no meu mais próximo formato (a poesia, ou o que se quiser chamar!) me levaram a construir textos paralelos, pequenas notas que se tornaram palavras ou textos mais elaborados, como outros momentos de verdadeira angústia por haverem mensagens mal percepcionadas, equívocos que não se conseguem desfazer e que nos levam por vezes a acreditar que as redes sociais não são apenas lugares para partilhar incondicionalmente um trabalho, uma motivação, mas um lugar onde se fazem amizades com a mesma facilidade que se constroem (o mais das vezes por um equivoco), inimizades… e essa apenas uma parte dos riscos que se tomam, só de abrir a boca para deixar uma palavra, colocar na mão uma percepção que seja!

Afectivamente, uma mensagem numa caixa de comentários é para mim um sinal de partilha e amizade: nunca me vi impelido a deixar uma mensagem por “obrigação”, nem por falsa delicadeza, como assim não o espero que aconteça nas esplanadas que vou mantendo enquanto o tempo, a vontade e as forças me permitirem. Muitas vezes, mais que uma mensagem, um comentário do género “ai que bonito, lindo, lindo”, tão forçado como desnecessário, prefiro, dentro das minhas deambulações que tanto me agradam ao andar pelos muitos blogs que sigo, deixar uma linha aparentemente sem nexo, um esboço de poema, uma linha de pensamento que deriva do que leio e que pretende ir em sentido contrário ou não e, não o recuso assim pensar, muitas vezes pode ocorrer no outro lado um sentimento do género “afinal, onde é que este gajo quer chegar?”… já me aconteceu, também, inúmeras vezes comigo e aí prefiro deixar a poeira assentar e rever mais tarde a linha de pensamento, o lado mais emocional da palavra que acontece sem grandes preparativos e como tal surge muitas vezes um pouco como parecendo fora de contexto ou até “mutilada”… já para não falar nos inúmeros erros de escrita, que a “pressa de comentar” nos presenteia, deixando a mensagem em formato de “enigma”, e isso acontece a todos, sem excepção.

Assim, e sem compromissos de maior, nem intenções de me colocar em bicos dos pés para “agarrar” mais uns quantos seguidores (etecetera…), abro mais um espaço na estante, que mais que um blog ou algo que o valha, pretende ser um bloco de notas perdidas, mensagens e resquícios de poesia espalhados pelas caixas de comentários alheias, pensamentos aparentemente “órfãos”, “uma caixa de arquivo flutuante de pequenas impressões que vou deixando nas caixas de comentários, por aí”: apelidei de subversos, que mais que isso, pretende ser o que todos os outros meus espaços pretendem… o prazer de partilhar, sem obrigações. Recolher despojos, aqui e ali, palavras que se vão perdendo dentro dos ficheiros que guardo e podem-se recuperar, mesmo que o seu “valor acrescentado” seja pouco. E já não é pouco, nos tempos que correm…

E retomava, retomarei adiante a questão primeira que me ocorreu há pouco: basicamente, para que serve uma caixa de comentários? Não sei com precisão, mas vou tentar… 
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marlene edir severino disse...

Leonardo,

Oportuna tua iniciativa.
Também considero uma partilha deixar um comentário ou mensagem, mas nunca por simples obrigação ou para parecer "delicada", e outras vezes, prefiro deixar para mais tarde meu comentário por não captar de imediato o pensamento do autor, porque cuido sempre em colocar-me do outro lado, do lado de quem fez o poema e assim até por vezes deixo de o fazer.
Confesso que depois de colocar um esboço do poema, ou minha idéia sobre o que li, não resisto a expressar um "Belo poema!", porque as vezes também tira-me o fôlego tanta beleza expressada em palavras.

E para não me alongar mais do que já de fato ocorreu, deixo sinceros parabéns pela perspicaz iniciativa.

Um afetuoso abraço!